Reforma Ortográfica no Brasil
Reforma Ortográfica
1. Por que fazer um acordo ortográfico?
2. O que muda com a reforma?
1. Por que fazer um acordo ortográfico?
O Português é língua oficial em oito Estados soberanos, mas tem duas ortografias, ambas corretas: a de Portugal e a do Brasil.
A existência dessa dupla grafia limita a dinâmica do idioma e as diferenças geram obstáculos ,maiores ou menores, em todos os planos em que seja utilizada a forma escrita (literatura, cinema, jornais, revistas, contratos, internet…) Isso se consideramos apenas a relação entre os oito paises da CLPL.
São quatro as línguas que se firmam nas relações internacionais: inglês, francês, português e espanhol. Dentre elas apenas o português tem duas grafias oficiais. A dupla grafia dificulta e/ou limita a capacidade de afirmação do idioma, provocando, por exemplo, duas traduções diferentes ,de caráter literário ou técnico, uma para o Brasil, outra para Portugal.
Opinião de Evanildo Bechara: ” A unificação da escrita é boa para o português, pois livros poderiam ser editados igualmente em todos os países de língua portuguesa e, além disso, o português precisa se impor como terceira língua mais falada no ocidente.”
Óbvio fica, que a mudança traz gastos enormes ao país e a todos que compram livros. Ruim para quem compra e, claro, muito bom para quem vende ou edita.
Quando devemos começar efetivamente a usar a nova grafia? Algumas fontes dizem que imediatamente, embora se saiba que há um prazo de três anos, no Brasil, e seis anos , em Portugal , para que a mudança seja tomada como definitiva e considerada erro a grafia “antiga”.
Em Portugal já foram editados dois dicionários que incluem as modificações previstas. Dizem seus editores que tinham certeza de que o acordo sairia em breve.
Apenas opinião pessoal, vou esperar até que eu leia o primeiro jornal com a nova grafia. É uma publicação diária , não tem motivo para esperar.
2. O que muda com a reforma?
HÍFEN Não se usará mais:
1. quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo essas consoantes ser duplicadas, como em “antirreligioso”, “antissemita”, “contrarregra”, “infrassom”.
Exceção (não escapamos delas): será mantido o hífen quando os prefixos terminam com r – ,ou seja, “hiper-”, “inter-” e “super-” como em “hiper-requintado”, “inter-resistente” e “super-revista”.
2. quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente.
Exemplos: “extraescolar”, “aeroespacial”, “autoestrada”.
TREMA Deixará de existir, a não ser em nomes próprios e seus derivados
ACENTO DIFERENCIAL Não se usará mais para diferenciar:
1. “pára” (flexão do verbo parar) de “para” (preposição) “pôr” (verbo) de “por” (preposição)
2. “péla” (flexão do verbo pelar) de “pela” (combinação da preposição com o artigo)
3. “pólo” (substantivo) de “polo” (combinação antiga e popular de “por” e “lo”)
4. “pélo” (flexão do verbo pelar), “pêlo” (substantivo) e “pelo” (combinação da preposição com o artigo)
5. “pêra” (substantivo – fruta), “péra” (substantivo arcaico – pedra) e “pera” (preposição arcaica)
ALFABETO Passará a ter 26 letras, ao incorporar as letras “k”, “w” e “y” ( Nós não tínhamos sequer nos dado conta de que elas não constavam do alfabeto…)
ACENTO CIRCUNFLEXO Não se usará mais:
1. nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos “crer”, “dar”, “ler”, “ver” e seus derivados. A grafia correta será “creem”, “deem”, “leem” e “veem”
2. em palavras terminados em hiato “oo”, como “enjôo” , “vôo” ou “abençôo”, que se tornam “enjoo”, “voo” e “abençoo”.
ACENTO AGUDO
Não se usará mais:
1. nos ditongos abertos “ei” e “oi” de palavras paroxítonas, como “assembléia”, “idéia”, “heróica” e “jibóia”
Segundo a maioria das fontes permanece o acento no ditongo aberto “eu” (Vale o “créu”…)
2. nas palavras paroxítonas, com “i” e “u” tônicos, quando precedidos de ditongo. Exemplos: “feiúra”
“baiúca” passam a ser grafadas “feiura” e “baiuca”
3. nas formas verbais que têm o acento tônico na raiz, com “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de “e” ou “i”. Com isso, algumas poucas formas de verbos, como averigúe (averiguar), apazigúe (apaziguar) e argúem (arg(ü/u)ir), passam a ser grafadas averigue, apazigue, arguem.
GRAFIA No português lusitano:
1. será eliminado o “h” de palavras como “herva” e “húmido”, que serão grafadas como no Brasil “erva” e “úmido”.
2. desaparecerão o “c” e o “p” de palavras em que essas letras não são pronunciadas, como “acção”, “acto”, “adopção”, “óptimo” que se tornam “ação”, “ato”, “adoção” e “ótimo”.
(Fica o “c “de “facto”, já que “fato” em Portugal é terno.)